quinta-feira, 2 de julho de 2009

A pedra do meu caminho


Era eu e a pedra, a pedra e eu. Sentados naquele lado da estradinha de chão que ligava o campo à cidadezinha mais próxima. A caminhada era longa, o compadre Zé Cardoso havia me dito que demorara cinco horas caminhando.
E no meio do caminho havia uma pedra, e apesar de pedra não falar, ela me chamou, sentei ao seu lado e esqueci do tempo, ao lado dela coisas curiosas eu vi. Vi um moço pedindo socorro, e antes que eu me movesse, apareceu outro moço, cuja intenção não era muito boa, o moço tinha uma espingarda na mão, fiquei com medo e me escondi atrás da pedra, de trás da pedra eu ouvi os disparos da espingarda, e de meus olhos uma lágrima caiu, sem eu entender porque.
Fez-se silêncio, ouvi um ronco de carro partindo, e aos poucos fui levantando e olhando para a estrada, e não havia sinal do moço da espingarda, porém mais a frente estava um moço caído no chão, falei com a pedra que devia ser o pobre que pedira socorro, e ela mandou que eu fosse até ele.
Devagar fui me afastando da pedra, que parecia ter ficado triste, e me aproximando cada vez mais do moço que parecia ser tão jovem... Quando me deparei com o rosto do rapaz, caí de joelhos ao seu lado, e de meus olhos uma lágrima de tristeza brotou, aquele que não ajudei por medo enquanto implorava socorro, era Augusto César, meu único filho!

2 comentários:

  1. Desfecho inesperado!

    Até nossa bondade
    soa egoísta, não?
    Deveria ter ajudado
    por ser o filho.
    Não...
    Deveria simplesmente
    ter ajudado.

    Um beijo,
    doce de lira

    ResponderExcluir